Uma passagem rápida por coisas importantes
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publicado por Mimosa, em 19.09.03 às 10:11link do post | favorito

Enquanto fazia a minha leitura, por um dos mais prestigiados jornais nacionais “AsBeiras”, com edição on-line ( www.asbeiras.pt ) deparei-me com a seguinte notícia:

“Portugal vai acolher encontro de coleccionadores de pacotes de açúcar”, e que tinha sido um clube português a promover tão original iniciativa.
Algures na notícia, o jornalista refere que:

“(...) Carlos Dias nunca gostou de açúcar na bica e, sempre que ia ao café, guardava os pacotes que não usava, até que um dia reparou que já os tinha em grande número.
Hoje, Carlos Dias conserva com orgulho os seus 5.500 "pacotinhos" e é fundador do Clube Português de Coleccionadores de Pacotes de Açúcar.(...)”

Num diálogo comovente e aguerrido, eis que Carlos Dias nos surpreende com esta afirmação:

"Comecei a colecção exactamente porque não gosto de açúcar", e porque “(...) tinham imagens muito engraçadas".

Um dos aspectos mais fabulosos, é que este homem “(...) durante vinte anos, manteve a colecção sozinho, sem nunca ter conhecido outros coleccionadores, até que em 2000, através da Internet, descobriu que muitas outras pessoas tinham a mesma obsessão.”

Entre algumas curiosidades, resumo que:
- O clube já tem 75 associados;
- Não é permitido comprar ou vender pacotes de açucar, só trocar ( “o espírito de troca”, como aliás refere )
- Existem pacotes “muito” valiosos, alguns chegam a custar 25 euros.

Depois, e vou confessar que estranhei, deslumbra-nos ao dizer que a “(...) maioria dos coleccionadores guarda os pacotes vazios, depois de tirar cuidadosamente o açúcar com a ajuda de uma pequena lâmina (...) “ o que ajuda a salvar as embalagens e facilitar o seu armazenamento.

Ou seja, estamos perante um encontro de pelo menos 75 pessoas, obcessivas e que coleccionam pacotes sem açucar. Trata-se, para além de um poderoso intercâmbio cultural, de uma rara oportunidade de trocar “pacotes” uns com os outros, visto que “não se podem vender”.

E já estou a visualizar a “coisa”...Carlos Dias, com o seu dossier de lombada grossa debaixo do braço, semeando no passeio os últimos grãos de açucar sobreviventes da expulsão do lar ( a que os seus companheiros já tinham sido submetidos ), de olhar altivo e orgulhoso...dirige-se para o associado nº 32 o Fernando Tomé da Mouta Redonda, e diz-lhe:

C.D. - “Tens que ver este pacote. Com o Mickey, pá! E da Segafredo...encontrei-o!”
F.T. - “Nãoooo....tás a brincar! Tenho este aqui da colecção dos instrumentos musicais da Delta...o tímbalo!!”
C.D. - “O tímbalo???Nãoooo...”
F.T. - “Queres trocar??”
C.D. – “Vou pensar!! Tens que me dar um tempo para reflectir!”

O mais estranho disto tudo, é o facto inaceitável, e que, quanto a mim desvirtua completamente o sentido ( se é que tinha algum de outra forma ) da colecção: a falta do açucar.
O que teria piada, era ver as formigas deliciadas a encontrarem tal colecção e a saborearem deliciosas e variadas qualidades de açucar, de épocas diferentes, enquadrados em espaços distintos. E a noção do risco de perder o açucar, ou antes a capacidade de o suster, seria sem dúvida uma mais valia para o pacote.
E aí sim, poderiam mesmo intervir as Companhias de Seguro, para dar um tom mais credível á “coisa”. Mas isso já são outras histórias...

Por fim, e como curiosidade, já inscrita no Guinness Book of Records, Marianne Dumjahn é também a mais prestigiada sócia do CLUPAC, com uma colecção de 300.000 pacotes. É obra!

P.s. – Poderão reler este texto, imaginando-o sem a palavra “açúcar”. Tem de facto um novo sentido.


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